18 de fevereiro de 2017

Trump na mira do império dentro do império


Trump na mira do império dentro do império

Patrick J. Buchanan
Quando o general Michael Flynn foi forçado a renunciar como assessor de segurança Nacional, Bill Kristol [um dos maiores líderes neocons do mundo] rugiu de satisfação: “Se chegar a esse ponto, prefiro o império dentro do império ao Estado de Trump.”
Para Kristol, o regime permanente, não o presidente eleito e seu governo, é o defensor real e o depositário legítimo das liberdades dos EUA.
No entanto, foi esse regime, o império dentro do império, que executou o que Eli Lake do site Bloomberg chama de “O Assassinato Político de Michael Flynn.”
E quais foram os crimes de Flynn?
Em dezembro, quando Barack Obama expulsou 35 diplomatas russos, Flynn falou com o embaixador russo. Ele aparentemente aconselhou o embaixador a não reagir de forma exagerada, dizendo que uma nova equipe estaria instalada em poucas semanas e reveria as relações entre EUA e Rússia.
“Isso não é ilegal nem impróprio,” escreve Lake.
Vladimir Putin rapidamente declarou que não haveria expulsões recíprocas e que os diplomatas americanos e suas famílias seriam bem-vindos nas festas de Natal e Ano Novo do Kremlin.
Uma crise diplomática foi evitada. “Grande lance (de V. Putin)…” tuitou Trump, “Sempre soube que ele era muito inteligente!”
Mas ao que parece isso não caiu bem com o império dentro do império.
Pois quando o vice-presidente Pence disse num programa de TV que Flynn lhe contou que as sanções não foram parte da conversa com o embaixador russo, uma transcrição da ligação de Flynn foi produzida das gravações pelas agências de inteligência dos EUA, e seu conteúdo vazado para o jornal Washington Post.
Depois de ver a transcrição, a Casa Branca concluiu que Flynn havia enganado Pence, a confiança mútua se foi e Flynn foi obrigado a renunciar.
Como um bom soldado, Flynn levou a bala.
O crime real aí, porém, não é que o assessor de segurança nacional tenha conversado com um diplomata russo que buscava orientação sobre os pensamentos do futuro presidente. O crime real é a conspiração criminosa dentro do império dentro do império para transcrever a conversa privada de um cidadão americano e vazá-la para colaboradores da imprensa para destruir uma carreira política.
“É isso o que os Estados policiais fazem,” escreve Lake.
Mas o império dentro do império está atrás de alguém muito maior que o General Flynn. Está determinado a derrubar o presidente Trump e abortar toda ação que traga o tipo de reaproximação com a Rússia que Ronald Reagan conseguiu.
Pois o império dentro do império tem um compromisso profundo com a Segunda Guerra Fria.
Daí, de repente, lemos reportagens de um navio espião russo perto da costa de Connecticut, Delaware e Virginia, de jatos russos zunindo perto de um navio de guerra americano no Mar Negro, e de violações russas do tratado INF de Reagan proibindo mísseis de alcance intermediário na Europa.
Propósito: Fazer a Casa Branca de Trump fugir de medo e abandonar toda ideia de paz com a Rússia. E parece estar funcionando. Num informe à imprensa na Casa Branca na terça-feira, Sean Spicer disse: “O Presidente Trump deixou muito claro que ele espera que o governo russo… devolva a Crimeia.”
A Casa Branca está falando sério?
Putin estaria acabado se devolvesse a Crimeia para a Ucrânia assim como Bibi Netanyahu estaria acabado se devolvesse Jerusalém Oriental para a Jordânia.
Como é que o império dentro do império atua? Com Flynn, vimos um exemplo clássico. Os braços de monitoração e espionagem do regime descobriram e revelaram informações prejudiciais, e então a entregaram para seus colaboradores da imprensa golpista, que gozam a imunidade da Primeira Emenda para escapar impunes.
Por violarem seus juramentos e quebrarem a lei, os sabotadores burocráticos são aclamados como “delatores” enquanto os jornalistas que recebem os frutos dos crimes capitais deles são indicados para grandes prêmios jornalísticos como o Pulitzer.
Agora se os russos hackearam o Comitê Nacional Democrático e o computador de John Podesta durante a campanha, e, mais seriamente, se assessores de Trump foram coniventes em tal esquema, tudo deveria ser investigado.
Mas os EUA não devem parar aí. Os indivíduos do FBI, Ministério da Justiça e órgãos de espionagem que foram cúmplices numa conspiração para vazar os conteúdos das conversas privadas de Flynn a fim de derrubar o assessor de segurança nacional deveriam ser expostos e levados a juízo.
Um promotor independente deveria ser nomeado pelo ministro da Justiça e um grande júri arrolado para investigar o que o próprio Trump acertadamente chama de má conduta “criminosa” nas agências de segurança.
Quanto à interferência em eleições, as mãos dos EUA estão limpas?
A CIA dos EUA tem um histórico célebre de interferir em eleições. No final da década de 1940, os EUA entupiram a França e a Itália de dinheiro depois da 2ª Guerra Mundial para derrotar os comunistas que haviam sido parte da resistência de tempo de guerra aos nazistas e fascistas.
E os EUA tiveram sucesso. Mas os EUA continuaram essas práticas depois que a Guerra Fria terminou. Neste século, a Fundação Nacional para a Democracia (FND) dos EUA, a qual data da era Reagan, apoiou “revoluções coloridas” e “mudança de regime” em nações vizinhas da Rússia.
A existência permanente da FND parece uma contradição à declaração de posse de Trump: “Não buscamos impor nosso estilo de vida em ninguém.”
O presidente Trump e o Partido Republicano não deveriam esperar para tratar da questão. Deixem o Congresso investigar a intromissão russa na eleição dos EUA. E deixem um promotor público especial investigar, descobrir, desmascarar e indiciar os indivíduos nas agências de investigação e inteligência que usaram sua guarda dos segredos dos EUA, em conluio com colaboradores da imprensa, para derrubar os nomeados de Trump que estão em suas listas de inimigos.
Então acabem de uma vez por todas com a Fundação Nacional para a Democracia.
Pat Buchanan é colunista do WND e foi assessor do presidente Ronald Reagan. Ele é católico tradicionalista pró-vida e já foi candidato republicano à presidência dos EUA.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do WND (WorldNetDaily): The deep state targets Trump
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17 de fevereiro de 2017

O presidente do Prêmio Nobel da Paz, o “império dentro do império” e o Trump imprevisível


O presidente do Prêmio Nobel da Paz, o “império dentro do império” e o Trump imprevisível

William J. Murray
Comentário de Julio Severo: Depois que o artigo de Murray foi publicado nos EUA, houve mais um sinal de que o “império dentro do império” voltou a dominar: Trump enviou o diretor da CIA para premiar a Arábia Saudita por “combater o terrorismo islâmico,” sendo que a Arábia Saudita é o maior financiador do terrorismo islâmico mundial. Meu artigo em inglês foi publicado em sites dos EUA e Austrália. Você pode ler a versão em português aqui: “CIA premia Arábia Saudita por combater o terrorismo islâmico.” Mesmo sem essa informação, o artigo do Murray é importantíssimo para você entender quem manda na política externa americana, e tudo indica que o império dentro do império está vencendo e dominando Trump. A seguir, a matéria completa de Murray:
Em 20 de janeiro, o Presidente Barack Hussein Obama deixou a Casa Branca depois de oito anos totais de aventuras militares que incluíram a derrubada dos governos de várias nações soberanas, inclusive um governo que foi democraticamente eleito. No final de seu segundo mandato, o presidente Obama havia despachado tropas americanas para combater em mais nações do que qualquer outro presidente desde Franklin Roosevelt — com a única diferença, é claro, de que Roosevelt estava defendendo as liberdades dos americanos, algo que Obama não fez.
Logo depois de sua eleição, durante sua turnê mundial que muitos apelidaram a “turnê das desculpas,” Obama fez este comentário na Universidade do Cairo em 4 de junho de 2009: “Então os EUA se defenderão, respeitando a soberania das nações e o Estado Democrático de Direito. E faremos isso em parceria com as comunidades muçulmanos que são também ameaçadas.”
Menos de um ano e meio mais tarde, a CIA estava armando “militantes” para derrubar o governo da Líbia. A secretária de Estado Hillary Clinton liderou o ataque para Obama derrubar o ditador de longa data daquela nação, Muamar Kadafi. Isso aconteceu depois que Kadafi havia voluntariamente entregue aos Estados Unidos suas “armas de destruição em massa,” as quais consistiam de armas químicas, e havia se aliado aos Estados Unidos.
Durante a revolta líbia patrocinada pelos Estados Unidos sob Obama e dirigida por Hillary, todos os agentes da al-Qaeda que haviam sido presos por Kadafi foram soltos. A guerra civil que a CIA predisse que duraria apenas alguns dias começou em fevereiro de 2011. Kadafi foi capturado e morto por tropas ligadas à al-Qaeda apoiadas e armadas pela CIA em outubro de 2011. Apesar da predição de “poucos dias” da CIA, a guerra civil ainda prossegue cinco anos depois. A Líbia é um ninho de terrorismo, com o Estado Islâmico controlando alguns de seus territórios. No total, há seis regiões controladas por forças diferentes, todas hostis umas às outras.
Em sua primeira visita à Líbia em 2011, enquanto havia ainda luta e Kadafi ainda estava vivo e liderando suas tropas, Hillary fez esta declaração:
“Primeiramente, desejo oferecer no nome dos Estados Unidos, no nome do povo e do governo americano, nossas congratulações, nossos melhores votos ao povo líbio pelo que, mediante muitas dificuldades, sacrifício e coragem, eles alcançaram em abrir a porta para um futuro mais promissor para a Líbia depois de 42 anos da ditadura de Kadafi.”
O “futuro promissor” que Obama e Hillary deram foi a destruição de quase toda a infraestrutura da Líbia, com energia elétrica esporádica na maioria das cidades e um constante estado de guerra civil que vem trazendo bombardeios aéreos de Benghazi mesmo recentemente.
Planos causadores de caos ainda maiores foram entregues a Obama, e ele os aceitou. Sob ordens do presidente que ganhou o Prêmio Nobel da Paz, armas do arsenal de Kadafi foram enviadas pela CIA para a Síria para apoiar a guerra civil iniciada pela Arábia Saudita na primavera de 2011.
A Arábia Saudita é a capital do terrorismo apoiado por muçulmanos sunitas no mundo hoje. Os dois atentados ao World Trade Center foram financiados por gente da Arábia Saudita. Os membros da família real saudita acham que é dever deles eliminar os muçulmanos xiitas, os judeus e finalmente os cristãos, para obter a dominação mundial para o islamismo sunita. A Síria é uma nação de Estado laico, mas a maioria da população é sunita. Assim, era natural durante os tumultos da “Primavera Árabe” que a Arábia Saudita financiasse uma revolta sunita contra o governo de Estado laico do Partido Baath do presidente Bashar al-Assad. A revolta armada começou em abril de 2011.
Os sauditas receberam garantias da CIA de que a avaliação deles estava correta, e que dentro de alguns dias depois da revolta a maioria do exército sírio desertaria e combateria al-Assad junto com seus irmãos sunitas.
Isso foi seis anos atrás. A revolta patrocinada pelos sauditas estava fracassando de forma deplorável, de modo que o “presidente americano da paz,” o ganhador do Prêmio Nobel, autorizou a desastrosa “Operação Vulcão em Damasco” da CIA em julho de 2012. Vulcão em Damasco seguiu o modelo da invasão da Baía dos Porcos em Cuba autorizada pelo presidente John Kennedy em abril de 1961. A mesma premissa e o mesmo fracasso.
Como com a invasão da Baía dos Porcos, Vulcão em Damasco teve como parte mais importante a ideia falha de que uma incursão armada faria com que os cidadãos “reprimidos” se levantassem e se revoltassem. Eles realmente se levantaram em Damasco, exatamente como os cubanos em 1961 — para combater os invasores apoiados pela CIA e não para ajudá-los. Agentes da CIA e milhares de mercenários pagos acabaram encurralados num bolsão de um subúrbio de Damasco. Para salvar os mercenários, a mídia tratou da “descoberta” de um ataque de armas químicas, dando a Obama e aos aliados europeus uma desculpa para fazer bombardeios para ajudar os mercenários a escapar. Quando a Inglaterra recuou, o plano de fazer bombardeios na Síria para salvar os “rebeldes” se desintegrou e Obama desistiu. Essa foi sua “linha vermelha.”
A destruição do governo de Estado laico da Síria não ocorreu depois de “alguns dias” ou “algumas semanas,” conforme a CIA havia prometido, apesar de que Hillary recitava continuamente que “os dias de Assad estão contados” enquanto viajava o mundo recebendo doações para a Fundação Clinton.
Mas o “presidente americano da paz” não estava terminado ainda. Simultaneamente com a revolta síria, Obama apoiou a destituição do governo de Estado laico do Egito e a implantação da Irmandade Muçulmana. Até o envolvimento dos Estados Unidos em 2011, o Egito tinha uma lei rigorosa de que nenhum partido com base religiosa podia ter candidatos concorrendo a cargo. O motivo era óbvio: logo que um partido islâmico ganhasse a maioria, não haveria mais eleições livres. No final de 2011, a Irmandade Muçulmana havia assumido o controle e uma nova constituição consagrando a xaria, a lei islâmica, estava em vigor.
Em 2013 o povo egípcio estava cansado do governo sancionado pela Irmandade Muçulmana de Obama, e eles foram às ruas exigindo intervenção militar, que ocorreu e colocou o país de novo na rota de um Estado mais laico. Lamentavelmente, muitas igrejas foram destruídas e cristãos mortos antes que o golpe militar restaurasse a ordem. Contudo, a Irmandade Muçulmana, proscrita mais uma vez no Egito, esteve provavelmente por trás de um ataque a bomba a uma igreja que matou 25 pessoas em dezembro de 2016, embora o Estado Islâmico oficialmente tomasse crédito pela explosão.
Essas revoltas de muçulmanos sunitas apoiadas por Barack Obama — o presidente da paz — levaram diretamente ao estabelecimento do Estado Islâmico e à matança em massa de cristãos na Síria e Iraque. O que simboliza muito o que Obama realizou foi a fotografia famosa da decapitação de 21 trabalhadores cristãos coptas egípcios numa praia na Líbia em 2015. Praticamente todas as nações civilizadas do mundo (excluindo a Arábia Saudita, é claro) declararam o Estado Islâmico culpado de genocídio de cristãos na Síria e Iraque.
Entretanto, a CIA de Obama nunca parou de fornecer armas às gangues de muçulmanos sunitas na Síria.
O presidente do Prêmio Nobel da Paz dos EUA não havia acabado. A CIA e suas organizações associadas, a Fundação Nacional para a Democracia (FND), tem a Europa em seus sites. A CIA havia decidido que a base naval russa em Sevastopol no território da Crimeia, na Ucrânia, poderia se tornar uma grande base naval no Mar Negro para os Estados Unidos, se o governo ucraniano cancelasse o arrendamento da base naval para a Rússia, e a concedesse aos Estados Unidos. Por isso, a Ucrânia recebeu acordos lucrativos especiais com a União Europeia e os Estados Unidos se jogasse fora todas as ligações com a Rússia. O presidente ucraniano pró-Rússia disse “Não.”
Imediatamente, grupos “pró-democracia” financiados pela FND inundaram as ruas da capital ucraniana com pessoas, e um impasse armado resultou que viu o presidente democraticamente eleito fugindo para salvar a vida. Uma nova constituição foi escrita que garantiu que a parte leste da Ucrânia, a qual tem ligações étnicas e linguísticas com a Rússia, seria isolada e teria pouca representação.
Quando o governo democraticamente eleito da Ucrânia caiu, Carl Gershman, diretor da FND, declarou sua queda como seu “maior prêmio.” O Congresso dos EUA continua a encher a FND com 100 milhões de dólares por ano para desestabilizar a Rússia e outras nações com as quais os Estados Unidos têm diferenças políticas.
Em determinado momento, Obama enviou o porta-avião USS George H.W. Bush ao estreito de Bósforo, se dirigindo ao Mar Negro, que a Rússia vê como estratégico para sua própria existência.
A Rússia respondeu simplesmente anexando a Crimeia. A Crimeia havia sido parte da Rússia por mais de 200 anos e só a tinha concedido à Ucrânia por duas décadas para propósitos administrativos enquanto a Ucrânia era uma república soviética. A Rússia estava preparada para lutar por sua base naval de águas quentes na Crimeia e, se necessário, usar armas nucleares.
Lembra-se da turnê de desculpas? Obama disse ao mundo que os jeitos “imperialistas” dos Estados Unidos estavam terminados. No final de seu segundo mandato ele envolveu tropas armadas americanas no Afeganistão, Iraque, Síria, Líbia, Iêmen e Somália, além de ter assessores militares na Ucrânia, que estava agora combatendo um movimento separatista de cidadãos de língua russa.
No dia em que deixou a presidência, “o presidente da paz” tinha a maioria das tropas de elite dos EUA — os SEALs da Marinha e os Boinas Verdes do Exército — mobilizados em 138 países, de acordo com estatísticas que TomDispatch.com disse foram fornecidas pelo Comando de Operações Especiais dos EUA.
A pergunta é: Por que Obama se envolveu em mais guerras do que Ronald Reagan, George H.W. Bush ou George W. Bush? A resposta é o “império dentro do império.”
O império dentro do império é definido como as 13 agências de inteligência dos EUA que fornecem informes ao presidente. O presidente tem pouco acesso a informações que não são fornecidas a ele pelo império dentro do império. Um presidente pode assistir a um noticiário de TV ou ler um jornal, mas muitas das informações que ele costuma obter dessas fontes foram fornecidas a elas pelo império dentro do império. Na Fox ou na CNN, o império dentro do império é muitas vezes chamado de agências de inteligência (AI).
Jornalistas dos grandes canais noticiosos mantêm contatos dentro da CIA, do Pentágono, da Agência de Segurança Nacional, etc. Os operadores nessas agências fornecem “vazamentos” para seus contatos da mídia noticiosa que secariam se o que eles fornecem não virasse notícia. As reportagens sobre situações na Síria e na Ucrânia são muito influenciadas pelas informações fornecidas pelo império dentro do império.
O “presidente da paz” dependia diariamente de materiais que lhe eram dados que mostravam que os Estados Unidos estavam “sob ameaça” da China, da Rússia, do Irã e dos países árabes com governos de Estado laico — mas por incrível que pareça, não das organizações terroristas pertencentes aos muçulmanos sunitas. A CIA de algum jeito conseguiu prever a Rússia invadindo a Noruega, mas não conseguiu compreender que o Estado Islâmico tinha a capacidade de capturar metade do Iraque.
Se a Rússia não é o inimigo, então os Estados Unidos precisam transformá-la em inimiga.
A Rússia é o inimigo porque em média, um caça F-35 custa aproximadamente 200 milhões de dólares, e há um custo adicional de 42 mil dólares por hora para operar um F-35. Esses caças bombardeiros de quinta geração não são necessários para combater o Estado Islâmico ou qualquer outra organização terrorista. Não há também nenhuma necessidade de novos porta-aviões, a um custo aproximado de 17 bilhões cada um, a fim de combater o Estado Islâmico.
É preciso um bicho-papão para justificar o custo dos F-35s e gigantescos navios de guerra, e a Rússia foi escolhida e montada para ser esse bicho-papão. A realidade da Rússia é muito diferente. O orçamento militar russo é menos de um décimo do orçamento da OTAN, e a OTAN tem 20 vezes mais aviões e 10 vezes mais navios do que a Rússia. A Rússia perde em números e orçamento, e a OTAN tem tropas armadas literalmente bem na fronteira da Rússia.
De repente, o presidente Donald Trump estragou os planos. Logo depois de ganhar a eleição, Trump questionou as agências de inteligência sobre as necessidades de gastos militares.
Ele questionou a necessidade da OTAN e disse que duvidava que a Rússia iria invadir a Europa, que é seu cliente número 1 de petróleo e gás natural. A Rússia tem a segunda maior reserva de energia no mundo depois dos Estados Unidos.
De repente o império dentro do império aproveitou a acusação “a Rússia ganhou a eleição para Trump” e produziu todas as espécies de documentos que mostravam como a Rússia “hackeou” a eleição ao expor a desonestidade e a corrupção da oponente de Trump, a Hillary Clinton. Os senadores John McCain e Lindsey Graham se uniram ao senador Marco Rubio para condenar as alegadas ações da Rússia que os democratas disseram roubaram a eleição de Hillary.
Isso não impediu os tuítes de Trump, de modo que de repente apareceu um dossiê de 35 páginas sobre Trump produzido por um hack político no Reino Unido que foi certa vez um espião do MI-6 (o MI-6 é a versão do Reino Unido da CIA). O dossiê tinha todas as espécies de material nojento nele, inclusive uma acusação de que Trump contratou prostitutas para cometer atos vis em Moscou numa cama que Obama tinha certa vez dormido quando ele visitou a Rússia. Em seus últimos dias como diretor da CIA, John Brennan atacou o presidente-eleito Trump, passando-lhe um sermão sobre como se conduzir como presidente.
E sim, Brennan é o mesmo espião que não conseguiu achar nenhuma organização terrorista islâmica operando no Iraque ou na Síria. Aliás, parece que a CIA não consegue encontrar nenhum muçulmano sunita mau.
Um atentado terrorista muçulmano sunita em San Bernardino, Califórnia em 2015 matou 14 e feriu gravemente 22. Um atentado muçulmano sunita em Orlando, Flórida, em 2016 matou 49 e feriu 53. Durante a presidência de Obama, houve numerosos outros atentados muçulmanos sunitas vitoriosos, inclusive em Fort Hood, Texas, e na Maratona de Boston. Na Europa, atentados muçulmanos sunitas devastadores ocorreram na Bélgica, França e Alemanha, matando muitos civis.
Em face do terrorismo de grupos muçulmanos sunitas, o diretor da CIA, ao deixar seu cargo, disse que os EUA precisam a todo custo trabalhar junto com os muçulmanos sunitas e proteger os aliados sunitas dos EUA, tais como a Arábia Saudita. Os sauditas são os principais competidores, na produção de petróleo, da Rússia e precisam de apoio, independente do terrorismo que eles financiam. Apesar de que os muçulmanos sunitas são responsáveis por quase todos os atos de terrorismo islâmico nos últimos 20 anos, o império dentro do império ainda quer vender ou dar mais armas aos sunitas.
Será que o presidente Donald Trump conseguirá manter sua promessa de impedir o caos causado pelas intervenções americanas no Oriente Médio e outras regiões? Ele assumirá a defesa dos cristãos perseguidos no Oriente Médio conforme ele prometeu, ou o império dentro do império o fará apoiar os países muçulmanos sunitas do Golfo a fim de “combater a Rússia”?
A resposta poderá vir mais cedo do que esperamos enquanto o Irã é “advertido” e dezenas, inclusive crianças, foram mortos durante o primeiro ataque das Forças Especiais autorizadas por Trump no Iêmen.
William J. Murray é presidente da Coalizão de Liberdade Religiosa em Washington DC e diretor do programa Natal para Refugiados.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do Western Journalism: The Nobel Peace Prize President, The ‘Deep State’ And Wild Card Trump
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16 de fevereiro de 2017

A linha direta da equipe de Trump para a Rússia: Registros telefônicos explosivos e ligações interceptadas mostram que “assistentes e equipe de campanha de Trump fizeram contato com autoridades da inteligência russa no ano antes da eleição”… e que o candidato sabia de tudo


A linha direta da equipe de Trump para a Rússia: Registros telefônicos explosivos e ligações interceptadas mostram que “assistentes e equipe de campanha de Trump fizeram contato com autoridades da inteligência russa no ano antes da eleição”… e que o candidato sabia de tudo

Comentário de Julio Severo: A reportagem do DailyMail, que traduzi e disponibilizo abaixo, revela o bombardeio de vazamento de informações sobre ligações de Trump e sua equipe com a Rússia, de um jeito que faz parecer que Trump está se aliando à maior ameaça do universo — visão típica dos neocons. A Rússia é hoje a maior potência cristã ortodoxa do mundo, mas não chega nem aos pés dos EUA, que são uma superpotência majoritariamente protestante. A Rússia é apenas uma potência regional, enquanto os EUA são a única superpotência global. O único rival absoluto dos EUA é o islamismo. Bom seria que, em vez de parceria com a Arábia Saudita, que é o país mais islâmico do mundo e também o maior patrocinador do terrorismo islâmico mundial, os EUA tivessem parceria com países cristãos, como a Rússia, e também com o Brasil, que é o maior país católico do mundo. Mas o Brasil não chega nem aos pés dos EUA, em Cristianismo e poderio econômico e militar. O fato é que os neocons, que querem continuar a eterna parceria dos EUA com a Arábia Saudita, estão muito descontentes que Trump queira fazer parceria com a Rússia contra o terrorismo islâmico. Afinal, uma guerra real contra o terrorismo islâmico afetaria fatalmente a Arábia Saudita, a aliada preferida dos neocons. A pressão sobre Trump está enorme, e ele começou a ceder aos neocons, inclusive com a renúncia do seu melhor militar apto para enfrentar os neocons, o tenente-general Michael Flynn e repreendendo oficialmente a Rússia, numa mudança de comportamento. A mudança é perceptível: enquanto o candidato Trump evitava qualquer comentário sobre Ucrânia e Crimeia com relação à Rússia, o atual presidente exige oficialmente que a Rússia devolva a Crimeia à Ucrânia, apenas para agradar aos neocons, que fazem as mesmas exigências. Talvez a Rússia deveria exigir oficialmente aos neocons que os EUA devolvam a Califórnia, o Texas e o Arizona ao seu dono original, o México. Juntamente com o islamismo, o neoconservadorismo (neocon) é a maior ameaça aos EUA e ao mundo. Leia a reportagem a seguir do DailyMail:
Uma nova reportagem alega que membros da equipe de Donald Trump estavam em contato com autoridades da inteligência russa durante o ano inteiro antes da eleição presidencial.
O jornal New York Times afirma que registros de ligações telefônicas e conversas interceptadas mostram: “Membros da campanha presidencial de 2016 de Donald J. Trump e outros associados a Trump tiveram contatos frequentes com autoridades elevadas da inteligência russa no ano antes da eleição.”
O New York Times disse que suas alegações são baseadas em entrevistas não gravadas que teve com quatro “autoridades americanas atuais e passadas.”
A reportagem afirma que a inteligência dos EUA estava preocupada porque o contato alegado estava ocorrendo enquanto o então candidato Trump continuava a louvar o presidente russo Vladimir Putin durante suas campanhas.
Contudo, o governo russo disse na quarta-feira que a reportagem não foi baseada em fato nenhum.
O alegado contato foi descoberto pelos órgãos de inteligência dos EUA que estavam trabalhando na época para entender se a equipe de campanha do presidente estava trabalhando com a Rússia com relação ao hackeamento do Comitê Nacional Democrático ou outras tentativas para influenciar a eleição.
O jornal apontou que as autoridades dos EUA que falaram do contato entre a equipe de Trump e a Rússia disseram que não há atualmente nenhuma evidência de tal cooperação.
“Não vamos acreditar em informações anônimas,” Dmitry Peskov, porta-voz do governo russo, disse numa coletiva à imprensa sobre a reportagem, notando que as fontes do jornal não foram mencionadas.
“É uma reportagem de jornal que não tem base em nenhum fato.”
Peskov, respondendo a uma declaração da Casa Branca dizendo que Trump esperava que a Rússia devolvesse a Crimeia à Ucrânia, também disse que o governo russo não tinha nenhuma intenção de discutir sua integridade territorial com parceiros estrangeiros.  
A CNN informa que autoridades elevadas da inteligência dos EUA disseram que o presidente Barack Obama e o então presidente eleito Trump: “ambos receberam resumos oficiais sobre os detalhes das comunicações extensas entre agentes russos e pessoas ligadas à campanha de Trump e às empresas de Trump.”
O canal de notícias informou que comunicações interceptadas entre autoridades russas revelaram que eles estavam discutindo a convicção de que eles tinham “acesso especial a Trump,” de acordo com fontes policiais.
Autoridades que falaram com o New York Times na condição de anônimos, devido ao fato de que a investigação está em andamento, disseram que Paul Manafort, ex-diretor da campanha de Trump, foi uma das pessoas que estavam em contato com a inteligência russa.
No entanto, Manafort — que trabalhava como consultor político na Rússia e na Ucrânia no passado — negou as alegações feitas contra ele pelo New York Times.
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15 de fevereiro de 2017

Apresentador conservador Michael Savage anuncia que transformaram Michael Flynn em bode-expiatório


Apresentador conservador Michael Savage anuncia que transformaram Michael Flynn em bode-expiatório

Comentário de Julio Severo: O tenente-general Michael Flynn renunciou ao seu posto importante de assessor de segurança nacional do Presidente Donald Trump. Ele estava ali para ajudar a moldar a política externa dos EUA tirando-a de seu enfoque neocon desgastado e inútil de mirar na Rússia, em vez do terrorismo islâmico, como ameaça principal. A meta dele era mirar no terrorismo islâmico e ter a Rússia como parceira. Tal meta estava de acordo com o discurso de campanha de Trump, que não queria seguir as metas neocons. Mas os neocons prevaleceram. Derrubaram Flynn e, com certeza, pressionaram Trump a enviar seu diretor da CIA para premiar a Arábia Saudita na semana passada. Com Flynn fora do caminho, os neocons agora têm mais uma vez liberdade de ação na política externa dos EUA. A reportagem a seguir, traduzida por mim e disponibilizada ao Brasil, é do WND (WorldNetDaily):
Michael Flynn
Michael Flynn é um “bode-expiatório,” argumenta Michael Savage, apresentador de programa de rádio, logo depois da renúncia do franco assessor de segurança nacional.
“A velha ordem mundial quer atritos permanentes com a Rússia,” Savage disse ao WND antes de seu programa nacional de rádio de terça-feira, “The Savage Nation.”
Flynn renunciou na noite de segunda-feira depois de reportagens de que ele havia dado “informações incompletas” para o vice-presidente Mike Pence acerca de sua discussão de final de dezembro com o embaixador russo nos Estados Unidos com relação às sanções [que Obama havia imposto na Rússia].
Pence, baseado em informações de Flynn, havia dito aos meios de comunicação que Flynn não discutira sanções com o embaixador, Sergey I. Kislyak.
Savage comentou que o presidente Obama fora pego numa gafe de microfone dizendo ao presidente russo Dmitry Medvedev, que já estava saindo do cargo, que Vladimir Putin lhe daria mais “espaço” porque Obama teria mais “flexibilidade” para trabalhar com a Rússia depois de sua reeleição em 2012.
“Onde estavam então os protestos dos indivíduos sem cultura nos meios de comunicação?” Savage perguntou.
“Vejo a demonização de Putin, da Rússia e de Flynn como parte de uma campanha dos neocons, das agências de espionagem dos EUA e dos membros do Partido Democrático que querem hostilidade eterna à Rússia,” ele disse.
“É como bombeiros que iniciam incêndios para justificar seus empregos.”
O Presidente Trump, depois de aceitar a renúncia de Flynn, tuitou na terça-feira de manhã: “O caso importante aqui é por que é que há tantos vazamentos ilegais vindo do governo dos EUA?”
Flynn afirmou que pensou nisso na terça-feira de manhã quando a Fox News lhe perguntou se os vazamentos tinham um alvo específico, foram coordenados e possivelmente uma violação da lei.
“Sim, sim e sim,” disse Flynn.

Um rio de vazamentos

Agentes do FBI escreveram um relatório secreto, baseado em interceptações, resumindo as discussões de Flynn com Kislyak. A ex-ministra da Justiça em exercício Sally Yates concluiu que Flynn poderia ser vulnerável à chantagem e suspeitava que ele poderia ter violado a Lei de Logan, que proíbe cidadãos dos EUA de interferirem em disputas diplomáticas com uma nação estrangeira, informou o jornal Washington Post.
Horas antes de sua renúncia, Flynn insistiu numa entrevista à Organização Investigativa da Fundação Noticiosa Daily Caller que ele “não passou dos limites” em sua discussão com o embaixador.
Sua preocupação principal, ele disse, era o rio constante de vazamentos dados a jornalistas com base em informações confidenciais.
“Em alguns desses casos, a questão envolve informações tiradas de um sistema confidencial e entregues a um jornalista. Isso é crime,” ele disse ao Daily Caller.
Flynn é um tenente-general aposentado do Exército que serviu como diretor da Agência de Inteligência de Defesa antes de se tornar o assessor de segurança nacional do Presidente Donald Trump no Dia da Posse.
Ele criticava fortemente a política externa do presidente Obama, inclusive a abordagem “politicamente correta” dele de lidar com a ameaça do terrorismo islâmico.
“Estamos cansados dos discursos vazios de Obama e sua retórica equivocada. Isso tem feito com o que o mundo não tenha respeito pela palavra dos EUA nem tema a força dos EUA,” Flynn disse em seu discurso principal na Convenção Nacional Republicana em julho.

“Avançando rápido demais”

Savage, um grande apoiador de Trump durante sua campanha, já expressou preocupação de que o círculo interno está fazendo com que ele avance rápido demais, levando a erros caros.
“Penso que Trump está em perigo a menos que ele desperte para o fato de que os que estão ao redor dele podem não estar agindo, vamos dizer, no melhor interesse dele,” Savage disse aos seus ouvintes.
Savage disse que Trump está “avançando rápido demais e em questões erradas.”
“Ele deveria ter começado com algo menos polêmico do que ele começou, e ele deveria ter ido um pouco mais devagar,” disse Savage.
A mensagem de Savage sobre fronteiras, língua e cultura foi posição firme na campanha, e Trump era convidado frequente no programa de Savage. Savage descreveu seu livro mais recente, “Scorched Earth: Restoring the Country After Obama” (Terra Arrasada: Restaurando o País depois de Obama), como “plano arquitetural para Trump.”
Ele está para lançar um livro sobre o novo presidente “Trump’s War: His Battle for America” (A Guerra de Trump: Sua Batalha pelos EUA).
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do WND (WorldNetDaily): Michael Savage: Flynn a “scapegoat”
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